35º Festival de Música Negra do Ilê Aiyê

 

 O objetivo principal do Festival é selecionar as canções que falam do tema do nosso carnaval e dar oportunidade para que os compositores possam expressar os seus sentimentos de auto-estima. Além disto o Festival tem a finalidade de preservar e expandir a música de tradição africana.

 

Para o Bloco Ilê Aiyê o Festival de Música Negra se constitui em uma importante atividade artístico-cultural no processo de contar / cantar a história de personalidades, fatos, cultura e religiosidade africana e afro-brasileira

 

O Festival de Música Negra promove a preservação, expansão e valorização de uma produção musical que traga referência à tradição histórica africana, selecionando composições que tratem do tema do Carnaval.  Posteriormente, as músicas que se classificam nas duas eliminatórias do Festival  e participam da finalíssima são integrados a um Caderno de Educação que é utilizado também nas atividades pedagógicas da entidade.

 

As músicas classificam-se em duas categorias: tema e  poesia e as músicas classificadas nas categorias poesia  e tema este ano foras as seguintes:

Em todas as etapas do Festival, que acontece sempre anualmente, no Curuzu - Liberdade, a emoção, a disputa saudável, a informação cultural e a ansiedade movimentam o público fiel dos Ensaios do Ilê Aiyê. Dezenas de compositores, estreantes e consagrados, inscrevem suas músicas para serem avaliados por um corpo de jurados, criteriosamente escolhidos, que selecionam na etapa final seis músicas campeãs - três da categoria poesia e três da categoria tema, cujas canções serão cantadas durante o Carnaval e durante todo o ano subseqüente.  

 

O Festival de Música Negra do Ilê Aiyê dá oportunidade para que os compositores possam expressar os seus sentimentos de auto-estima e  ainda fortalece os laços entre a população afro-descendente de toda a cidade e o bloco, pois compositores de vários bairros – além dos que são moradores da Liberdade, participam do concurso. Durante os ensaios pode-se conferir, em primeira mão, algumas das composições feitas especialmente para o ano em curso.  

  O Festival de Música Negra é um evento que integra o calendário de atividades da entidade, funcionando como ponte entre a pesquisa histórica e a expressão artística popular. Antes do período de inscrições são disponibilizadas apostilas, com informações relacionadas ao tema, fruto de pesquisa e reflexão feitas pela direção da entidade. Com essas apostilas, que desenvolvem e aprofundam a abordagem, os compositores têm possibilidades de enriquecer seu trabalho de criação. Através dessa interação entre as informações veiculadas pelo bloco e o tratamento dado pelos compositores, há trinta e três anos o Ilê Aiyê contribui para a valorização da oralidade, da história cantada, como uma forma de dar visibilidade à historiografia de países africanos, personalidades e revoltas de escravizados no Brasil. Há 34 anos o Ilê Aiyê e seus compositores escrevem uma história que não está nos livros pedagógicos comuns, mas está no currículo de suas ações educativas, nas ruas do Curuzu durante o ano inteiro e nas ruas da cidade durante o Carnaval. Os países da África, personalidades negras brasileiras ou estrangeiras ou relatos de revoltas de escravizados no Brasil são algumas das temáticas exploradas pelo afro pioneiro na sua luta pelo respeito à diferença, que também passa pela história dos diferentes.

 

Estes anos foram inscritas mais de CEM musicas, sendo que dessas, trinta e três foram classificadas para participar das eliminatórias e quize músicas irão a grande finalíssima do dia 10 de Janeiro de 2009, que terá um grande show da band’Aiyê com as participações especiais Convidadas.

PREMIAÇÃO

CATEGORIA TEMA

1º LUGAR 2.500,00   +   Troféu Pássaro Preto  e  duas fantasias

2º LUGAR 2.000,00   +   Troféu Perfil Azeviche  e  duas fantasias

3º LUGAR 1.500,00     +   Troféu Perfil Azeviche  e  duas fantasias

 

CATEGORIA POESIA 

1º LUGAR   2.000,00   +   Troféu Pássaro Preto  e  duas fantasias

2º LUGAR    1.500,00     +   Troféu Perfil Azeviche  e  duas fantasias

3º LUGAR    1.000,00     +   Troféu Perfil Azeviche  e  duas fantasias

Essas são as campeãs do 34º Festival de Música Negra do Ilê Aiyê

1º LUGAR TEMA

MÚSICA: Rainhas Negras

AUTORES: Amilton Lopes, Marcos Alves e Milton do Sina

 

Rainhas negras, as pirâmides do rei

Lutam para simbolizar

E edificar o reino Méroe

Nefertiti, Cleópatra e negras africanas

Mulheres de grande influência

Bravas guerreiras a cantar

 

Negras candaces, negras fortes no poder

Reinando no império encantadas pelo Ilê

 

Hoje na Bahia

Mulheres negras do Brasil

Mãe Hilda negra serena, Dete Lima força mil

Leci Brandão beleza negra, arte, poesia e canção

Na gestão do Ilê Aiyê

Laços de confraternização

 

Negras candaces, negras fortes no poder

Reinando no império encantadas pelo Ilê

 

Ilê vai tocar ta rá rá

Pra negro dançar ta rá rá

Batuque ijexá

Para as candaces balançar


2º LUGAR TEMA

MÚSICA: Valiosas Mulheres

AUTORES: Milton Boquinha e Marito Lima

 

Rainhas mães, corajosas guerreiras compromissadas

Mulheres sempre destacadas a frente do poder

O Império Méroe ao sul do Egito começava Núbia

Templo do sol, reino de Axum de Nefertiti a Akhenaton

Monoteísmo, o deus do sol é Aton

Cleópatra também se destacou, lá no Egito

A mais bonita, exuberante, irreverente, profundamente inteligente

 

Negras lindas, lindas negras

São tão belas e sensuais

Coisas raras de se ver

Rainhas candaces do Ilê Aiyê

 

Gaiaku Luiza, sacerdotisa

Jeje mahin, foi no Bogum onde tudo começou

Pra festejar pra Azansú

Vodum correspondente a Omolu

Dete o povo negro te agradece (bis)

Você faz parte da história

Faz Ilê crescer

Braço forte da senzala

É a grande estilista do Ilê Aiyê

Lélia Gonzáles, militante do movimento negro unificado

Ruth de Souza foi militante estudantil

Se destacou, como atriz em tempos difíceis no Brasil

Leci Brandão, rainha do samba, o pagode é gostoso na palma da mão

Alto das pombas, movimento popular, negras feministas

A comunidade em primeiro lugar, lutar, lutar, lutar...


3º LUGAR TEMA

MÚSICA: Ilê Aiyê e as candaces

AUTORES: Itamar Tropicália, Tinga e M. Othelo

 

Ilê Aiyê e as Candaces Kelê, Kelê

Ilê Aiyê e as Candaces Kelê, Kela    (bis)

Ago Aiyê Curuzu, Curuzu ago oyá

Ago Aiyê senzala do Barro Preto

Colofé

 

Ilê Aiyê

Candomblé jeje  (bis)

Zoogodo Bogum

Male hundó

 

Candaces, rainhas do Império Méroe

Mulheres que viraram mito

Nefertiti e Cleópatra

Foram rainhas do Egito

 

Entre as religiões metropolitanas do país

As baianas são as mais guerreiras

Feminina população

Candace Dete Lima tem o poder da criação

Peço sempre a benção

Peço sempre ago yá

 

Colofé, Colofé yalorixá Ilê Axé Jitolu

Colofé, Colofé terreiro de Cacunda yayá

Colofé, Colofé Gaiaku Luiza sacerdotisa

Do jeje mahi na Bahia

Colofé, Colofé Savi, Porto Novo, Abomé, Alada

Olorum modupé axé Ruth de Souza

Da interpretação

Olorum modupé axé Zezé N’zinga e expressão

Olorum modupé axé Gaiaku Luiza Xica da Silva

Olorum modupé Lélia e a Candace Leci Brandão

 

 

1º LUGAR POESIA

MÚSICA: A Bola da Vez

AUTORES: Joccylee e Toinho do Vale

 

Eu quero saúde e estudar, viver contente

Me formar, trabalhar, ter mais valor

Secretário de estado, ser ministro

Jornalista, engenheiro, senador

Quero cotas iguais, não diferentes

Quero ter meu direito aonde for

Moradia decente pra essa gente

No Brasil ver um negro presidente

 

Ô ô essa reparação já passou da hora

Não desisto, pois eu sou um negro quilombola

Eles pensam que pode apagar nossa memória

Mas a força do Ilê nos Conduz nessa trajetória

 

Esse país aqui foi feito por nós

Ninguém vai mudar, nem calara nossa voz     (bis)

Direito de ir e voltar, cidadão

Levante a bandeira do gueto negão

 

A bola da vez

Sou a voz, sou Ilê

A bola da vez

Sou a voz, sou Ilê

A bola da vez

Sou Ilê, bola da vez


2º LUGAR POESIA

MÚSICA: O canto da serpente

AUTORES: Silvio de Itapuã

 

Ilê Aiyê extensão da riqueza africana

Expressa no tempo a nobreza em seu desfilar

É lindo ver a negra sinfonia soando em nagô

Os negros felizes na avenida transpirando amor

Revela o poder de uma terra matriarcal

O ventre da fêmea imortal desenvolve o mundo

As candaces da vida Dete Lima, Mãe Hilda Jitolu

Arani Luiza Gaiaku arco-íris a nos guiar

Hoje o Ilê Aiyê sai da Senzala a cantar

 

Refrão

Lelê maré, Lelê maré Oxumaré   (bis)

Lelê moriá Arakaa   

Lelê maré Oxumaré

 

Os filhos de Dan trilham o caminho da liberdade

Senhor dos Funs de Daomé

Sinta no coração o teor da negritude

Essência que não se confunde

Ilê Aiyê é a própria razão

A beleza infinita dessa gente diferente

Que pulsa no subconsciente

E faz ecoar em um só tom

O canto da serpente

 

Refrão


3º LUGAR POESIA

MÚSICA: Dete Lima e sua Arte

AUTORES: Rita Mota

 

Quem quiser transformação

Arte, canto, poesia

Peça a Dete Lima            

Que ela ensina esta magia     (bis)

 

Um turbante bonito

Um pano da costa             (refrão)

Sandália de couro

Quem é que não gosta

 

Lá nos anos setenta, ainda se ouvia

Que negro era feio, sem direito a alegria

Dete Lima aparece, junto ao Ilê então

Fazendo corpo, cabeça e transformação

 

Refrão

 

 

 

 

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