O PROJETO DE EXTENSÃO PEDAGÓGICO DO ILÊ AIYÊ

O Projeto de Extensão Pedagógica (PEP) do Ilê Aiyê foi criado em 1995 com o objetivo de sistematizar e ampliar, inicialmente, para as escolas da Liberdade as ações educacionais que o Ilê Aiyê já realizava desde a sua fundação. Para concretizar esse ideal, o Ilê Aiyê foi buscar parcerias com diversas instituições que passaram a apoiar e a acompanhar as ações realizadas.

Nas escolas da rede pública, são oferecidos cursos onde professores, supervisores e orientadores educacionais aprendem sobre a história e a cultura afro-brasileira, desenvolvem o pensamento crítico sobre questões como etnia, pluralidade cultural e análise do livro didático e se preparam para abordar esses temas com seus alunos. A capacitação é realizada por educadores do próprio Projeto de Extensão Pedagógica.

Outra linha de ação do Projeto é a mobilização direta de crianças e adolescentes das escolas envolvidas. Elas participam de oficinas artísticas de canto, dança, percussão, estética e confecção de tecidos, ministradas por monitores do Ilê Aiyê.

A elaboração de publicações, como a série Cadernos de Educação é também uma ação importante do Projeto.

Na apresentação do Caderno de Educação, volume 2, de 1996, são apresentados os pressupostos do PEP:

Que ao longo de 22 anos de atividades culturais e recreativas o Ilê Aiyê produziu um extenso material informativo que pode ser utilizado em práticas educacionais;

Que a utilização deste material, ao privilegiar o mundo cultural afro-brasileiro, torna o fazer educativo mais produtivo e mais próximo do cotidiano da população das nossas escolas.

Para Jaime Sodré, educador do PEP, o referido projeto já encontra respostas significativas no tratamento das questões ligadas a uma didática que aborde a problemática dos conteúdos escolares, e a relação entre professores, Secretaria de Educação e Diretoria das Escolas. Para Sodré o que se tem de concreto é que, apesar da resistência de determinados professores e diretores, estes dados são na verdade um dado importante como medidor da inadequação do corpo docente a uma educação que leve em conta a nossa realidade racial, logo, o positivo é a problematização deste fato, onde ninguém pode ficar indiferente.

Valdina Pinto, também educadora do PEP, afirma que o projeto do Ilê quer é que aquele aluno negro que está ali, não seja só contemplado por saber jogar capoeira, por saber sambar. Aquele aluno negro tem de ser contemplado por tudo que ele tem de tradição, de valor, de saber acumulado dos seus antepassados. Então a escola teria de, para contemplar o afro-descendente, é contar, é o professor ter conhecimento de África. É o professor ter conhecimento de que o afro-descendente dele não descende de escravo, mas sim de um ser humano negro que falava línguas, tinha história, tinha raciocínio lógico. E ver aquele aluno com tudo isso. E para falar da história do Brasil tem de falar de uma história anterior a esta que conhecemos.

Atualmente o PEP trabalha com as escolas: Cremilda Taquary, Novo Marotinho, Abrigo do Povo e com os Projetos: Cana Brava e Caminhar (Juizado de Menores, Base Naval e 19BC).  

 

PROJETO DE EXTENSÃO PEDAGÓGICA

IDENTIFICAÇÃO:

PROJETO :    Projeto de Extensão Pedagógica                          

CATEGORIA :  Arte-Educação e Pluralidade Cultural

INSTITUIÇÃO : Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê

JUSTIFICATIVA:

A prioridade dos nossos conteúdos é para as reflexões e práticas pedagógicas que contribuam para o senso crítico dos alunos, professores e outros atores da educação.

Os conteúdos da história da participação da afro-descendência na construção da cultura brasileira, não pode mais continuar transversal-superficial. Pelo nosso estudo e resgate,  já constatamos que eles são vitais (básicos) para a construção da personalidade e identidade estético-cultural dos nossos filhos que não são a imagem do belo e do inteligente para os padrões oficiais racistas.

O ensino público para ser digno atingindo a pluralidade étnica, não pode continuar reproduzindo os padrões europeus e descaracterizando os valores das demais descendências. Portanto, continuamos a implementar:

Conteúdos e posturas filosóficas que contribuam para os professores melhorarem os seus propósitos

com os seus alunos, reformulando toda uma forma de pensar e ver a cultura afro-brasileira.

Uma pedagogia com referências às histórias das culturas afro-descendentes desde períodos

pré-coloniais  até a contemporaneidade.

Conteúdos e metodologias que contribuam para a mudança do currículo escolar da Bahia de maneira

que possamos, em breve, ter a história da participação da afro-descendência  não mais como tema

transversal-superficial.         

OBJETIVOS

GERAIS

Construir   e  desenvolver  uma  pedagogia  voltada  para  a  ancestralidade  (raízes  culturais)   afro-descendente em seus fundamentos e influências no Brasil.

Contribuir para uma pedagogia plural nas escolas públicas privilegiando o patrimônio cultural da maioria da população.

Difundir os trabalhos sistemáticos do Ilê Aiyê na direção da auto-estima das crianças,  jovens e

adultos da nossa sociedade.

ESPECÍFICOS

Sistematizar de modo teórico e prático os valores pedagógico-culturais difundidos pelo Ilê Aiyê,

numa proposta curricular, num plano de formação de professores e em materiais didáticos

adequados.

Capacitar professores de forma que eles se tornem multiplicadores de uma proposta pedagógica

pluricultural para a Escola baiana.

Oferecer oficinas artísticas para as crianças e adolescentes e oficinas com vistas à

profissionalização aos jovens e adultos.

Difundir valores como: respeito aos direitos do cidadão;  práticas para uma sociedade não violenta

e sem preconceitos de nenhuma espécie, a toda comunidade escolar.

Ampliar a contribuição do Ilê Aiyê às escolas não envolvidas no projeto e ao público em geral,

através da realização de ações educativas de curta e longa duração.  

 

POPULAÇÃO – ALVO / ABRANGÊNCIA    

40 > Professores, Diretores e Coordenadores Pedagógicos das Escolas Novo Marotinho e Beatriz de

Farias (CR Pirajá) e Cremilda Taquari (CR Liberdade).

 

840 > Alunos   das   citadas   escolas   que   participarão    das    oficinas   artísticas    e

profissionalizante.

Trabalhadores em educação e o público em geral.  

 

ESTRATÉGIAS  OPERACIONAIS

Capacitação, em serviço, de professores e coordenadores das escolas envolvidas no projeto

conveniado com a Secretaria Municipal de Salvador, a partir de temas propostos pelas escolas e

pelo PEP do Ilê Aiyê.

 

Vivências quilombolas  para professores das Regionais de Pirajá e da Liberdade.

 

Oficinas de arte-educação (dança,  percussão, estética e de retalhos de tecidos) para os

alunos das escolas da rede Pública.

 

Realização de  seminário para trabalhadores em educação e o público em geral.

 

Publicação dos Cadernos de Educação, do Ilê Aiyê.

 

Curso para capacitação didático-pedagógica dos educadores/monitores do Ilê Aiyê.  

 

 

ACOMPANHAMENTO / AVALIAÇÃO

Elaboração do planejamento conjunto do Projeto envolvendo equipe pedagógica e parceiros

Comunicação contínua entre os setores envolvidos no Projeto (Escolas, SMEC, PEP)

Avaliação trimestral dos resultados qualitativos e quantitativos do Projeto

Acompanhamento em sala de aula e sessões de avaliação com professores e coordenadores das Escolas